terça-feira, 21 de setembro de 2010

Primeiro violão

Esses dias foi aniversário da minha irmã. Completou 13 anos e me pediu de presente um violão. Minha alegria não poderia ser maior ao ver minha irmã se interessando em aprender a tocar. Fui a loja com ela, escolhi o violão com ela, como se fosse o meu primeiro violão.
Até hoje me lembro do meu primeiro violão, era um Gianinni que vivia guardado em cima do armário do meu pai, durante toda a minha infância, passou por mim despercebido. Até que pouco depois de completar 11 ou 12 anos, quando tirei a poeira dele e o reformei pra conseguir começar a aprender a tocar...

Me lembro ainda de que minha vontade mesmo era de aprender a tocar bateria. Cheguei a montar uma de mentira, no terraço da minha casa, com latões de tintas que ficavam rodando por lá. Tinha uma poltrona velha onde sentava... O bumbo era uma velha caixa quadrada, e não existia pedal, acionava-o chutando mesmo, na bicuda. Só não tinha pratos, mas eu dava um jeito de bater em alguma coisa de ferro pra fazer de conta que ressoava. Ia pro terraço toda noite batucar, enquanto os outros garotos da minha idade iam pra rua jogar bola e meu irmão ficava assistindo Tv. Acho que os vizinhos não gostavam muito mas eu tinha isso como um esporte.

Como não consegui ganhar uma bateria de verdade, meu pai chegou a comprar um teclado de criança, mas esse vivia jogado pelos cantos, pois eu não achava a menor graça em ficar fazendo sons digitais. (até hoje não acho, a diferença é que hoje eu gosto de piano - onde o som não é digital) Mas ainda assim eu tentava acompanhar as músicas que o próprio tecladinho tocava. Depois de já estar tocando violão, tentei recuperá-lo pra tentar aprender alguma coisa diferente, mas ai foi tarde, ele já tinha sido destruido pelo tempo.

Com o violão a coisa foi muito de repente. Comecei com uns amigos de rua que à época ouviam rock e tentavam tocar, eu era o mais novo e então ia só pra acompanhar. Eles começaram a tocar. Somente um deles fazia aula de violão, os outros não e eu ficava só observando. Quando eles soltavam o violão pra conversar sobre outras coisas, eu o pegava e ficava tentando entender o mecanismo das cordas. Até que um dia eu resolvi que ia tocar aquilo. Ai como já tinha o meu violão (aquele que ficava em cima do armário), acabei me isolando deles e passei a ficar o dia inteiro tentando tocar, comprei algumas revistas de cifras (coisa que eu acho que já nem tem mais hoje em dia) e não largava do violão. Lembro-me que muitas vezes, almoçava com o prato apoiado sobre o violão. Ai depois de toda essa maratona acabei de fato aprendendo a tocar e depois disso nunca mais parei...

A bateria até hoje não tenho, embora a vontade ainda exista, consigo arranhar alguma coisa. O teclado não serviu de nada mesmo, mas hoje com um contato maior com o piano, estou fascinado por este instrumento e tento ainda arranhar alguma coisa.
Espero que minha irmã tenha um caminho feliz na música como julgo ser o meu.

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