sábado, 22 de maio de 2010

Morte aos portugueses!

Lendo meu jornal diario, verifiquei uma noticía curiosa. O informe era sobre uma inspenção da Vigilância Sanitária do rio que decretou o fechamento da padaria Rio Lisboa, uma famosa padaria no Leblon, na zona sul da cidade, por causa das más condições de higiene. De acordo com os fiscais da Vigilância Sanitária, o local não tem condições de higiene para manipular alimentos. Foram descartados mais 600 quilos de alimentos. E a padaria foi multada em mais de R$ 2 mil.
Outro fator agravante: Em fevereiro, a Light flagrou ligação clandestina de energia elétrica na Rio Lisboa . O estabelecimento foi obrigado a passar quase um dia de portas fechadas após ter o abastecimento de luz cortado pela concessionária.
Até ai tudo dentro dos conformes, intrigante ver que a "sujeirada" se estende também à zona sul, mas isso não é de grande surpresa também. Outras ações da vigilancia sanitária descobriram que outros estabelecimentos da cidade também funcionam em condições insalúbres.

O que mais me chamou a atenção foi a repercussão imediata que o assunto gerou aos leitores do jornal pela internet, com seus comentários mal criados e com uma "pitada" de sarcasmo. A questão "xis" do problema da sujeira, era porque os donos do estabelecimento eram portugueses.
Um chegou a comentar: "Esses portugueses deviam morrer, todos, um por um..." Um outro fazendo questão de gozar os patrícios retrucou em "defesa": Não podem morrer, os portugueses, senão ficaremos sem padarias"
Toda essa discussão me fez pensar o porque de tanta chacota com os pais da nossa civilização...
Penso que as vezes esta implicância é igual a de um filho com seu pai, que sempre critica o progenitor mas acaba seguindo seus passos e sempre o amaldiçoa por isso. Acabamos cantando a imortal música do grande Belchior. "Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais"
Acredito que isso vem eras retrógradas, são traumas da colonização sofrida que tivemos, mas me pergunto seria melhor se cabral tivesse "achado" o caminho das Índias (isso pra quem acredita nesta história, que ouvimos na escola) Se nós tivéssemos sido colonizados pelos ingleses, como estaríamos hoje?

A questão da exploração me leva a crer que nos atrasou o desenvolvimento, mas a colonização inglesa não nos traria situação tão contrária à que temos hoje.
Outro ponto a se pensar: Já pensou, nosso povo, que é internacionamente conhecido como um dos povos mais carismáticos e receptivos do mundo, sendo colonizado pelos ingleses? Certamente esse calor humano não existiria. Nosso pais poderia certamente, ser mais um povo xenófobo no mundo.
Detalhe, mesmo não havendo colonização inglesa, temos hoje, pessoas de tamanha índole ($$) que se acham superior as outras, imagina se tivesse, a discrepancia seria ainda maior...

Voltando a linha de raciocínio:  Com os portugueses herdamos pelo menos um pouco mais de sentimento, até porque eles têm muito disso. Já dizia Chico Buarque em "fado tropical":
 "Sabes, todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo, além da sífilis, claro" Deboches à parte, é notório a melancolia lusitana.

Desafetos à parte, gostaria de entender se há algum outro motivo pelo qual julgamos preconceituosamente os patrícios de burros, feios, sujos e nojentos. É fato isso? Claro que podemos encontrar algumas desses predicados em alguns, mas isso indifere da nacionalidade, mas não acho que isso deve ser generalizado.
Mas infelizmente isso termina aqui, até porque não há como mudar certos conceitos populares, sobretudo aqueles que rotulam, ofendem e ridicularizam outros povos, à exemplo:

Português = Burro
Francês = Não toma banho
Judeu = Sovina
Japonês = Pau pequeno
Paraguaios = Contrabandistas
Árabe = Terrorista
Italiano = Mafioso
Alemão = Nazista

Isto fora os rótulos dos nossos próprios irmãos de pátria:

Gaúcho = Viado
Baiano = Preguiçoso
Goiano = Sertanejo
Amazonense = Índio
Cearense, Recifenho, Piauiense, Alagoano = Paraíba
Carioca = Malandro

É triste... O pior é que isso retorna pra gente, ou alguém não está lembrado quando o ator Robin Williams comentou sobre a vitória na eleição do Rio às Olimpiadas de 2016:
"O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi justo”
Era assim que eramos (somos?) vistos lá fora, como o pais do samba, da putaria, do "oba-oba"
Mas essa cultura racista é mundial, eu acho. Somente com a evolução dos homens é que conseguiremos aceitar as diferenças de cada um e conviver fraternalmente, na grande família universal.

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