domingo, 20 de junho de 2010

Eu Recomendo!

Bom, agora eu sou um cara que gosta de livros, novamente.
Houve uma fase da vida em que simplesmente os devorava com verocidade e estava sempre com um à cabeceira. Houve outra contudo, em que eles criaram traças e eu não os buscava nem para simples consulta (culpa do google - hehe) Acredito que querer ler é querer emoções e só existe essa busca quando se tem emoções (e ai voce quer cada vez mais) Quando se é vazio, quer-se mais é ficar vazio[...] Minha mãe se souber que voltei com o velho hábito, vai agradecer à Deus.

Este é o último livro do filósofo francês André Gorz, escrito para homenagear sua mulher, Dorine, com quem partilhou a vida por quase sessenta anos. O casal cometeu suicídio em 22 de setembro de 2007; os corpos foram encontrados um ao lado do outro, e um cartaz, na porta de sua casa, pedindo que a polícia fosse avisada. Gorz, discípulo de Sartre e co-fundador do Le Nouvel Observateur, era um crítico radical da mercantilização das relações sociais, contrário à crença no trabalho assalariado, além de ser autor de vários livros sobre ecologia. Desde o início da década de 90 vivia em retiro com a mulher, que sofria, há anos, de uma doença degenerativa. Os dois viveram uma grande história de amor e companheirismo, após terem se conhecido em Lausanne, numa noite de neve, em outubro de 1947. Desde então, nunca mais se separaram. Logo no início, Gorz escreve: " Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e se mantém bela, graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e oito anos que vivemos juntos, e eu te amo mais do que nunca " .
Adoro essa reverência à mulher amada, adoro textos com ode àquela que faz nosso coração masculino bater mais forte, aquela que tira a cara de mal e nos coloca um sorriso de menino. E romance pra mim é assim, quanto mais meloso melhor! (com um certo limite por favor, novela mexicana é demais)

Recomendo à todos. Uma leitura gostosa, contínua. Perfeito pra ser lido num dia frio diante de uma lareira...
Mas atenção, o conteúdo é bem pesado, bem denso e pode ser de dificil digestão se suas coronárias não estiverem 100%.
Me fez ver que às vezes pessoas importantes passam por nossas vidas e simplesmente as deixamos passar, sem absorver nada, sem trocar nada, sem estreitar laços, por fim sem se relacionar. Não me prendo ao âmbito conjugal, falo de laços fraternos em geral. Pois na relação de Gorz e Dorine antes de tudo havia amizade, companheirismo, cumplicidade. Ítens essenciais a qualquer tipo de relacionamento.
Entrando no quisito romance, a história deles (a parte boa é claro) é o sonho de consumo de qualquer um. Simplesmente achar o seu "chinelo velho" e ser feliz até o fim da vida. Mas como diz Vinícius. O amor tem de ter um bocado de tristeza. E nesse livro tem em demasia.
Já prometi num post anterior que iria desenvolver minhas opiniões sobre alguns livros, e já tem o seu madruga na fila. A promessa está de pé!

Um comentário:

  1. Eu já li esse livro também e concordo com tudo o que disse, em gênero, número e grau.

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