Estou constantemente postando neste blog opiniões sobre obras que foram lidas por mim. Na primeira postagem, há algumas semanas atrás, disse que estaria retornando (por bem) com o velho hábito da leitura, e este graças à Deus, não se resume a livros. Nos últimos tempos venho observando ao meu redor a pequena porcentagem de gente que lê alguma coisa e confesso uma pequena preocupação com esse cenário. Observo no cotidiano quem lê, e em geral, vejo um trabalhador lendo um jornaleco qualquer, no transporte casa-trabalho, pra ter uma idéia do que está acontecendo no mundo pra comentar com um colega de trabalho...
As pessoas andam mal informadas, tanto por falta de renda pra ter acesso a um material de melhor qualidade, como por falta de opção deste material. Acabam assim, se resumindo a ficar assistindo a um tele-jornal sensacionalista que não trás grandes reportagens, mas sim grandes dramas...
Me revolto quando abro a página de um jornal e vejo além da notícia sobre a morte de um garoto de 10 anos, vítima de bala perdida, o drama que a família sofre. Porra! Será que é preciso documentar isso!? Mesmo quem não passou pela perda de um ente querido pode imaginar como dói. Mas não, é preciso reforçar e criar uma movimentação extra em torno do caso, sobre tudo agora que estamos em ano de eleição. Como o governador vai reagir a isso?
Entendam por favor que não sou contra a cobertura dos fatos ou ainda que não subestimo o caso, nem tampouco a dor da família pela perda, ocorre este é apenas mais um de inúmeros casos que acontecem diariamente e que mesmo com tamanha cobertura não se cessam...
É lamentável que tenhamos que nos contentar com tão pouco.
Essa semana eu soube que o Jornal do Brasil vai deixar de circular como jornal impresso pra apenas trabalhar no campo virtual [...] Triste, ainda que com reconhecida deficiência em sua estrutura (vide a redução do formato, a redução no quadro de colunistas e sobretudo os inúmeros erros de português) O JB, conseguia trazer uma reportagem sucinta, sem melo-dramas, sem demagogias. Neste mesmo caso do menino falecido em uma favela do Rio, foi reportado um canto de página com a estória toda, deixando, porém, os detalhes sórdidos, para outros folhetins que inclusive transformaram a notícia em capa do exemplar...
Sempre fui contra a jornais, independente da plataforma que atue (impresso, tv, rádio...), que tentam formar opinião, jornalismo pra mim é apuração dos fatos, opinião é uma coisa que cada um deve ter a sua, ainda mais considerando que vivemos em uma democracia. Mas, é bem melhor conduzir uma massa a pensar igual, ter as mesmas decisões, agir da mesma forma, falar e pensar igual. "Assim é bem mais fácil nos controlar e mentir, mentir, mentir. E matar, matar, matar..."
(Aloha - Renato Russo)
Nenhum comentário:
Postar um comentário