Sempre encarei Chico Buarque de Hollanda, como um grande compositor mas nunca antes, tive a oportunidade de conhecer a face romancista do mesmo. Por uma associação lógica, imaginei que seria igualmente talentoso, embora não raro, alguns em semelhante experiência deixem a desejar. Pude confirmar que desta vez regra foi seguida ao ler "Leite Derramado" (Companhia das letras, 196 págs.)
A narrativa é em formato de monólogo e conta a história de um tal Eulálio (que curiosamente era o nome do seu 'tataravô baiano', da música "paratodos" mas não há referencias) um velho moribundo que está nos últimos dias de vida. Prestes a completar 100 anos oscila entre momentos de lucidez e loucura, finesse e grosseria nos quais remonta ao seu passado mais longínquo, desde os tempos imperiais até os dias atuais...
A história passa por momentos tristes, sobretudo quando envolve o desaparecimento súbito de sua esposa Matilde (que ao que tudo indica, abandonou o lar atrás de homem) mas que são abordados de forma hilária pelo ranzinza. Desbocado como só, não pude evitar em vestir a carapuça do ancião e me imaginar velho, reclamão, boca suja e tarado (sim, há um quê de perversão na leitura, típica de Chico) Morri de rir várias vezes durante as horas em que lí o livro. Por ser narrativa simples, quase sem diálogos, a leitura se torna muito rápida. Lí os 23 capítulos em um dia.
Fiquei muito satisfeito na forma de escrever de Chico, estou curioso para ler os outros três livros já lançados (Estorvo, Benjamim e Budapeste - todos pela companhia das letras)
Desta maneira, chico entra pro time dos artistas que jogam em todos os times (com o devido respeito ao seu tricolor do coração) Escreve livro, peças, poemas, e sabe-se lá mais o que.


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